Saudades Daquele Tempo

Tenho tantas saudades dos filmes a preto e branco, do velho transistor companheiro das donas de casa, do bruaá das crianças a brincar na rua!

Da leiteira com os vasos abarrotar de leite, a padeira distribuindo o pão com a sua velha canastra.

Saudades dos pregões da varina e do Azeiteiro (hoje este termo tem outra conotação) que com a carroça movida pelo cavalo enchia as vasilhas com azeite da gente pobre.

No meu tempo, em dias de festa, os cabeçudos faziam barulho pelas ruas da cidade e as pessoas corriam à rua para ver!

O guarda-soleiro ou amola tesouras e navalhas, aparecia e era certo que a chuva estava de volta; ditos populares! As drogarias com seu cheiro característico, se fechar os olhos ainda consigo sentir o cheiro.

À que ror de tempo as pessoas não se juntam frente à lareira, contando histórias! Histórias de uma vida...de encantar.

Na época Natalícia, comprava-se roupa nova para ir à festa de Natal na Igreja; acreditava-se que o Pai Natal chegava de madrugada para deixar uma prendinha. Sim, porque naquele tempo era uma só coisa. A vida custava muito!..

Era lindo! Toda aquela magia que envolvia o Natal!

Hoje não se joga mais ao pião, à cabra cega, não se esmurra mais os joelhos...as meninas deixaram de brincar com bonecas. Vive-se atrás das novas tecnologias, não há  conversas, as pessoas isolam-se, não se conhecem, pavoneiam-se nas redes sociais em vez de acompanharem a infância dos filhos.

Estamos a criar uma geração fria, insensível, que não brinca devora tecnologia e não acredita em nada.

Não sei se um dia saberão, o quanto perderam?

A próxima geração não sonha, pesquisa e devora tecnologia.

No nosso tempo, éramos mais felizes, nesses dias respiravamos alegria.


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